O melhor de dois mundos

Uma tragetória universatária um pouco inusitada entre Brasil, Estados Unidos e França.

SMC formatura 2017

Do sol da Califórnia às chuvas de Paris, o resumo perfeito da minha vida acadêmica. Como muitos jovens sempre tive o sonho de viajar pelo muito e principalmente morar e estudar fora. Em 2015, minha família e eu decidimos depois de muitos cálculos que seria possível me mandar para cursar a faculdade de Cinema nos EUA ao invés de ir para uma faculdade tradicional de 4 anos, eu fosse para uma Community College, escola técnica com duração de dois anos que oferecem diplomas como os cursos técnicos no Brasil. primeiramente. Lá faria os cursos básicos de “General Education”, aulas obrigatórias para todos os estudantes independente do que cursam, e depois transferiria para uma grande University. Do momento em que tirei os pés de solos brasileiros esse foi o plano. Pouca gente sabe de Community colleges mas essas escolas são de longe a maneira mais barata de arcar com os custos de cursar a graduação nos estados unidos tendo em média 24k como tuition.

Governo Estudantil de 2016

Santa Monica College desde o momento em que cheguei me ofereceu tudo que eu esperava. Estudei cinema na cidade dos Anjos, vi famosos, frequentei a praia (até mais do que deveria), fiz estágios, amigos pra vida, e muitas memórias. Sempre tendo em mente de que o sistema de uma community college é diferente de uma University mas não é simples. Mesmo sendo mais barata do que grandes universidades SMC ainda foi bem cara pra minha família arcar. Morar em Los Angeles não é exatamente barato, tive amigos que tiveram de voltar por questões financeiras; porque diferente de uma universidade grande eles não te oferecem bolsa e nem moradia. Você vai e cresce, ou vai e volta. Pessoalmente durante os meus dois na Califórnia tive uma casa por semestre, e me mudar a cada seis meses não foi algo prazeroso.

Meu plano sempre foi: cursar dois anos, completar o GE e transferir para completar o undergrad em alguma outra escola. Algo possível mas que requer muito planejamento. Em uma escola americana, onde o estudante é livre para escolher suas aulas é muito fácil se perder num mundo de classes interessantes. Eu não só tive de fazer a GE mas também seguir estritamente cada requerimento das escolas para qual pensava em transferir. Os requerimentos variam muito de escola para escola e tomam bastante tempo. Fazendo com que eu tivesse de planejar bem os meus semestres, e as vezes abrir mão daquela aula de teatro que parecia super maravilhosa.

Carta de Admissão na UC Berkeley

Quando a hora de aplicar para escolas chegou a tensão aumentou. Em geral todas requerem um mínimo de 3.8 como GPA mais uma lista extensa de atividades extracurriculares. Meu sophomore year (segundo ano) foi apenas pra isso. Trabalho, estágio, extra curricular, governo estudantil, Brasa… Pra no final ser aceita por sete das oito escolas que apliquei, sendo aceita por todas as UC’s que apliquei incluindo UC Berkeley. A felicidade dessa carta chegando na minha casa foi algo inexplicável. O sentimento de que valeu a pena trabalhar duro, de que a recompensa realmente veio tomou conta de mim. Mais no meu caso, dinheiro sempre foi o fator X da decisão e como sabemos estudar nos EUA não é barato. Eu pessoalmente me recusei a entrar no sistema americano de empréstimos para pagar minha educação (pra quem não sabe é sim possível ter empréstimos como estudante internacional mas o processo é muito mais complicado). Como nenhuma das escolas além da American university of Paris (AUP) me ofereceu bolsa ficou bem óbvio que o sonho de Berkeley pra mim terminou na carta de admissão.

Verão 2019

De uma maneira inusitada a minha vida mudou completamente. Tive três meses pra pegar minhas malas, fazer um pitstop no Brasil me mudar para a cidade Luz, enquanto resolvendo os processos de visto e imigração. Sem nem falar Bonjour fui-me. Sem sol e com muita chuva Paris me mostrou o que um inverno realmente é. A adaptação em Paris foi mil vezes mais difícil do que na ensolarada Califórnia. Mas além do frio, não posso reclamar. A cidade é viva e cheia de cultura, te faz independente, e oferece muitas possibilidades. Diferente dos EUA aqui estudantes podem trabalhar e estagiar o quanto quiserem. é corriqueiro tirar semestres inteiros para estagiar, complementando que estágios aqui são pagos por lei. Com órgãos mundiais como a UNESCO, grandes empresas, e a política do governo Macron de incentivar Start Up’s Paris é perfeita pra dar aquele empurrão no currículo. Eu mesma, hoje como estudante de Jornalismo, estou pra começar meu estágio próximo semestre na OECD, mais especificamente na câmera de comércios agrícolas. Sem dizer que fashion week é a melhor semana no ano pra quem como eu estuda comunicação. Várias empresas precisando de cobertura de mídia, estagiários, ou até mesmo uma pessoa pra segurar um cabides. É a oportunidade para conhecer um pouco da vida secreta dos bastidores do maior evento de moda do mundo!

Sem comentar nas várias oportunidades de conhecer a Europa, cabendo na budget. Nunca imaginei que durante a minha experiência universitária eu teria visitado mais de dez países. Os benefícios de ser um estudante na Europa fazem que viajar seja algo razoável pro bolso e muito bom pro coração. Estou a um trem de Amsterdam, a um ônibus de Praga… e assim vai.

Equipe da BRASA Paris

Aqui na França reencontrei partes da minha personalidade que pensei que tivessem sido esquecidas no Brasil. Aprendi a ser mais independente, uma vez que Europa não é feita para facilitar a vida de ninguém como os EUA é. Até hoje, depois de um ano morando aqui me pego comparando coisas bobas como os sistemas bancários de um país pro outro, ou ate mesmo o transporte público, que em Los Angeles por exemplo é quase inexistente. Sou muito grata pelas diferenças desse lugar, pela arte, pela beleza que está sempre viva em Paris, Sem comentar dos museus, que aliás são de graça. Descobri que independente de onde estou pessoas são pessoas, e mesmo em Paris elas sendo um pouquinho mais rabugentas que o normal elas ainda sabem sorrir. Tive a oportunidade de através da Brasa Paris fazer amigos, conhecer gente de áreas de estudo/trabalho que eu nunca conheceria se tivesse continuado no sistema de artes liberais que os estados unidos me proporcionaria enquanto estudando cinema. Principalmente, sou grata por ter tido uma experiência única. Metade aqui metade lá.

A travel writer from the chaos of São Paulo that moved to the sun of Santa Monica, to the Paris luxury, and now to the Philippines beaches. @ClaraPrado29

A travel writer from the chaos of São Paulo that moved to the sun of Santa Monica, to the Paris luxury, and now to the Philippines beaches. @ClaraPrado29